A INVENÇÃO DE UM “ENDOSCÓPIO SOCIOACADÊMICO” PARA OBSERVAR O COTIDIANO DA SALA DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA COLETIVA DE FEIÇÃO PRAGMÁTICA É VIÁVEL?

Gerson Tavares do Carmo

Resumo


A presente iniciativa tem por objetivo criar um dispositivo nomeado metaforicamente de “endoscópio socioacadêmico” para observação em salas de aula com turmas do Proeja  no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia Fluminense (IFFluminense). A partir dos resultados acumulados por um diagnóstico  da qualidade do ensino do Proeja, realizado em cinco campi do IFFluminense, verificamos a necessidade de facultar maior atenção às finas operações engenhadas pelos discentes e docentes do Proeja nos momentos em que são exigidos – entre acordos, conflitos, esforços, controvérsias, mal entendidos ou esclarecimentos – a fazer (des)fazer e (re)fazer o comum  de seus envolvimentos múltiplos em torno dos processos de ensino-aprendizagem. Trabalharemos de um ponto de vista empírico etnográfico para observar o emaranhado de estruturas de proximidade no entorno do cotidiano de estudantes e de professores, enquanto coabitantes em uma dada sala de aula. Propomo-nos a viabilizar essa experiência coletiva de feição pragmática no campo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com apoios epistêmico-teórico-metodológicos de coletivos de três áreas: Estudos do Cotidiano na Educação , Linguística Sociocognitiva  e Sociologia das Ações no Plural . Nesses termos, esse projeto terá como ações prioritárias: observar, perguntar, registrar e descrever sobre os envolvimentos múltiplos circunscritos às experiências discentes e docentes de permanência e êxito no processo de ensino-aprendizagem, em sala de aula principalmente. A invenção do “endoscópio socioacadêmico” tem como horizonte a educação de qualidade como direito a ser garantido no cotidiano da escola, situando-se no contexto das pesquisas do Núcleo de Estudos sobre Acesso e Permanência na Educação (Nucleape)  e da implementação do Plano Estratégico para a Permanência e Êxito dos Estudantes do IFFluminense . O projeto, num prazo de três anos, prevê a publicação de um acervo das etnografias realizadas e a formação de professores pesquisadores do Grupo de Pesquisa Aprendizados ao Longo da Vida da UERJ, coordenado por Jane Paiva, visando à multiplicação da experiência. 

A presente iniciativa tem por objetivo criar um dispositivo nomeado metaforicamente de “endoscópio socioacadêmico” para observação em salas de aula com turmas do Proeja[1] no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia Fluminense (IFFluminense). A partir dos resultados acumulados por um diagnóstico[2] da qualidade do ensino do Proeja, realizado em cinco campi do IFFluminense, verificamos a necessidade de facultar maior atenção às finas operações engenhadas pelos discentes e docentes do Proeja nos momentos em que são exigidos – entre acordos, conflitos, esforços, controvérsias, mal entendidos ou esclarecimentos – a fazer (des)fazer e (re)fazer o comum[3] de seus envolvimentos múltiplos em torno dos processos de ensino-aprendizagem. Trabalharemos de um ponto de vista empírico etnográfico para observar o emaranhado de estruturas de proximidade no entorno do cotidiano de estudantes e de professores, enquanto coabitantes em uma dada sala de aula. Propomo-nos a viabilizar essa experiência coletiva de feição pragmática no campo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com apoios epistêmico-teórico-metodológicos de coletivos de três áreas: Estudos do Cotidiano na Educação[4], Linguística Sociocognitiva[5] e Sociologia das Ações no Plural[6]. Nesses termos, esse projeto terá como ações prioritárias: observar, perguntar, registrar e descrever sobre os envolvimentos múltiplos circunscritos às experiências discentes e docentes de permanência e êxito no processo de ensino-aprendizagem, em sala de aula principalmente. A invenção do “endoscópio socioacadêmico” tem como horizonte a educação de qualidade como direito a ser garantido no cotidiano da escola, situando-se no contexto das pesquisas do Núcleo de Estudos sobre Acesso e Permanência na Educação (Nucleape)[7] e da implementação do Plano Estratégico para a Permanência e Êxito dos Estudantes do IFFluminense[8]. O projeto, num prazo de três anos, prevê a publicação de um acervo das etnografias realizadas e a formação de professores pesquisadores do Grupo de Pesquisa Aprendizados ao Longo da Vida da UERJ, coordenado por Jane Paiva, visando à multiplicação da experiência.


[1]   O Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica, na Modalidade de Jovens e Adultos é geralmente apresentado como forma de aprendizagem para toda a vida, busca filiar-se à formação, cuja base está no sentido ontológico do trabalho, constitutivo da vida humana e fundamental, no século XXI (RAMOS, 2010).

[2]    Diagnóstico da Qualidade do Ensino do PROEJA na região Norte e Noroeste Fluminense: foco nos aspectos formativos e metodológicos – projeto nº 61787 do Observatório da Educação - Obeduc/CAPES Edital Nº49/2012. O projeto Obeduc, em 2014, deu origem ao Nucleape, visando à sua continuidade após seu termino em 2017.

[3]    Expressão de Resende (2013), inspirado em Certeau (1998), para designar as artes de fazer o comum nas escolas.

[4]    Estudos dos Cotidianos na Educação de Alves (2001) e Oliveira (2008) registram a importância dos primeiros grupos de pesquisa a se dedicarem aos estudos do cotidiano e suas possibilidades de contribuição para a pesquisa em educação no Brasil a partir do início dos anos 1990, compreendendo que o desenvolvimento epistemológico da noção de cotidiano é indissociável daquele das metodologias das pesquisas que nele, com ele e sobre ele se desenvolvem.

[5]   A Linguística Sociocognitiva de Miranda & Salomão (2009), Lakoff & Johnson (2002) e do grupo Escrita: Poder e Subjetividades, liderado por AUTOR (2011) e Andressa Teixeira (2014), entende a linguagem humana como o local onde, concomitantemente, a exterioridade (o cultural, o social e o histórico) se relaciona com os processos internos (nossos esquemas mentais), construindo discursiva e intersubjetivamente versões públicas do mundo.

[6]   A Sociologia das Ações no Plural de Laurent Thévenot (2016) é base do coletivo Pragmaticus, liderado por José Resende, no qual participei como pós-doutorando de julho de 2017 à junho de 2018 na Universidade Nova de Lisboa..

[7]  Nucleape - registrado11/12/2014 no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Grupo de pesquisa interinstitucional entre o IFFluminense (líder Munich de Oliveira Ribeiro)  e a UENF (vice-líder AUTOR ).

[8]  Portaria MEC/SETEC, Nº 23, de 10 de julho de 2015, a qual “institui e regulamenta a Comissão Permanente de Acompanhamento das Ações de Permanência e o Êxito dos Estudantes da Rede Federal e dá outras providências”.


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